Thursday, March 29, 2007

Campanha erosiva

À medida que se massifica o uso da terra para a agricultura, fomentando para isso a destruição das florestas, vai-se promovendo uma erosão responsável por um complexo processo de desertificação, que inclui não só a degradação do solo e da vegetação, mas também uma escassez de recursos hídricos e uma progressiva perda de diversidade biológica.
Uma situação, em Portugal, que promoveu esta problemática ocorreu aquando se iniciou a “campanha do trigo”, nas décadas de 30, 40 e 50. A região do Alentejo, foi desbravada (ainda mais do que já tinha sido até então) e áreas extensas de montado foram destruídas sendo posteriormente utilizadas para o cultivo de cereais, em especial, e tal como o nome indica, de trigo.

As consequências desta campanha levaram a um intenso aproveitamento agrícola dos terrenos pobres. Abandonou-se quase por completo o tradicional sistema de rotação de culturas, deixando de se cumprir os prazos mínimos de pousio. Isto provocou um esgotamento dos solos.
Para além disso, muitos animais perderam os seus habitats, e em especial uma das espécies mais emblemáticas em termos de conservação em Portugal – o lince-ibérico (lynx pardinus) – que com esta campanha viu destruir as comunidades florísticas autóctones indispensáveis para a sua sobrevivência.

As consequências desta acção são sentidas nos dias de hoje, pois os solos estão cada vez mais pobres e desgastados e não existe, aparentemente, uma vontade nacional de reverter esta situação. Exemplo disso é a construção da barragem do Alqueva que serviria para promover a agricultura de regadio no Alentejo.
O problema é sempre o mesmo – monoculturas que não estão de acordo com o tipo de solo e clima da região e promotoras da erradicação das espécies indígenas indispensáveis à vida de variados seres.

Thursday, March 8, 2007

O retorno do ajudante da floresta!


O esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), foi abundante em Portugal, mas em meados do século XVI extinguiu-se no território nacional. No entanto, o bom filho à casa torna. Desde os anos 80 que se tem vindo a dispersar, vindo de Espanha, pelo território nacional a partir da zona Norte. Também foi libertado no Parque Florestal de Monsanto em Lisboa e no Jardim Botânico de Coimbra com resultados bastantes satisfatórios. Desde então, outras regiões têm vindo a beneficiar da presença deste vistoso roedor e nalgumas zonas, tornou-se já comum. Actualmente, já se encontram estabelecidos no Parque Nacional da Peneda-Gerês e no Parque Natural de Montesinho. Um dos casos mais recentes que se encontra registado na imprensa, diz respeito ao regresso do esquilo à Reserva Natural da Serra da Malcata.


Este regresso traz benefícios em vários sentidos. Em primeiro lugar, é mais um incremento na biodiversidade de um país já de si rico em fauna e flora. Por outro lado, o esquilo é presa de espécies animais raras ou em perigo no nosso país, como é o caso da marta (Martes martes) e do açor (Accipiter gentilis) o que pode servir para favorecer um aumento nas populações destas duas espécies. Por fim, sabe-se que este trepador de pelagem que pode ir do vermelho ao castanho-preto tem predilecção por sementes de árvores, especialmente de coníferas e caducifólias, que armazena essencialmente no solo para ingerir mais tarde. Aquelas que são esquecidas podem germinar, fomentando assim a disseminação de determinadas espécies de flora que com o passar do tempo poderão vir a formar novas áreas florestais. Mas para que esta expansão continue na direcção de outras regiões do nosso país, é necessário que não haja alterações nos habitats desta e de todas as outras espécies da nossa fauna. Para tal deve-se reflorestar os nossos ecossistemas com plantas nativas, de modo a que estas proporcionem alimento suficiente aos diferentes seres que delas dependem.

Belas e perigosas

A introdução de espécies exóticas num ecossistema pode ter graves consequências para as espécies indígenas e provocar grandes prejuízos económicos.
Este tipo de invasão biológica constitui, após a perda de habitat, a maior ameaça para a biodiversidade, afirmou Jeffrey A. McNeely, cientista da União Mundial para a Natureza (IUCN). As invasões biológicas são ainda reconhecidas pela Convenção para a Diversidade Biológica como uma das principais causas das alterações globais do planeta.
No nosso país, existem plantas que são consideradas problemáticas. Como um bom exemplo disso temos as espécies do género Acacia.


Estas plantas, muitas delas originárias da Austrália, produzem uma grande quantidade de sementes e a germinação é estimulada pelo fogo. Estes factores são, pois, responsáveis pelo sucesso de colonização da espécie, bem como o facto de ser uma planta utilizada para a fixação de dunas e como ornamental em jardins (devido às suas flores). Nem as nossas áreas protegidas escapam a esta invasão exótica, como é o caso do Parque Nacional da Peneda-Gerês e da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto. Nalgumas zonas, as acácias formam extensas áreas quase mono-específicas, pois impedem o desenvolvimento de outras espécies.


Já se tentaram várias metodologias para erradicar estas plantas, mas esta tarefa tem-se mostrado infrutífera, devido, em parte, à sua notável capacidade de regeneração. A melhor solução para impedir que uma espécie se torne invasora é prevenir a sua entrada e, em seguida, a sua fixação e expansão. Porém, isto implica uma monitorização atenta e preventiva da situação ao nível nacional e a efectiva capacidade para intervir rapidamente e com determinação. Dever-se-ia apostar mais na arborização dos nossos terrenos com espécies nativas, pois só assim se promove a diversidade de uma determinada região.


Friday, February 16, 2007

Nau dos corvos

A Pedra da Nau, também conhecida por nau dos corvos, junto ao cabo carvoeiro, é um fabuloso rochedo no qual pousam os corvos marinhos e as gaivotas, permitindo assim a observação directa de aves marinhas.


Esta formação rochosa faz lembrar uma nau quinhentista, daí o seu nome.
Constitui um bom exemplo de erosão litoral e diferencial (tipo de erosão que se deve à existência de comportamentos diferenciados das rochas face aos agentes erosivos).
É, actualmente, um dos pontos de referência para quem visita a zona de Peniche.

Thursday, February 15, 2007


Serra de Monchique – Algarve

Em termos de património geológico a serra de Monchique evidencia dois cumes gémeos de origem vulcânica – a Foia e a Picota – que atingem 902 m e 744 m de altitude, respectivamente, podendo assim ser considerado um maciço eruptivo que emergiu há cerca de 70 milhões de anos dos terrenos do Carbónico marinho, existindo na zona de contacto geológico uma orla de metamorfismo com formações rochosas próprias. Os cumes atrás citados – as mais altas elevações do Algarve (e do Sul de Portugal) – são constituídos por rochas afins do granito: o sienito. Reconhecem-se aqui duas raras variedades de sienito: foiaíte e monchiquite.


Estas características em termos geológicos fazem-se acompanhar por um número de espécies de fauna e flora considerável. Neste último caso, refere-se a presença do carvalhedo (Quercus canariensis) por se encontrar em perigo de extinção.


No entanto, toda esta diversidade está grandemente comprometida devido à forte pressão urbanística numa das zonas de Portugal onde mais se constrói desenfreadamente. Nesta zona o turismo excessivo é um problema que urge minimizar para que se possa usufruir dos encantos de uma região tão maltratada do ponto de vista ambiental.
Para além disto, as formações rochosas podem estar sob risco devido aos consecutivos incêndios que deflagram todos os anos, pela altura do Verão, na zona. Este flagelo é originado pelo descuido na limpeza das matas, pela florestação incorrecta da zona com espécies não nativas e por mão criminosa.

Quando não existe vegetação, após um grande fogo, as rochas e o solo arável estão mais susceptíveis às acções da água (na altura das chuvas) e do vento.


Dever-se-ia assegurar uma protecção mais eficaz a este local. Temos de preservar os nossos espaços naturais! Ao preservar uma determinada zona, estamos a salvaguardar o habitat de um variado número de espécies. Tudo está interligado.

Saturday, February 3, 2007

Economia versus consciência


Existe uma mudança de opinião, por parte da espécie humana, em relação à atitude economicista que tem prevalecido desde tempos históricos. É verdade que um factor muito importante para a humanidade é a riqueza que os recursos naturais originam. Esta visão será sempre tida em conta e muito valorizada.

Mas para além disso, os aspectos científicos e estéticos estão a suscitar algum interesse, tanto pela beleza de certas paisagens como pela informação científica que advém dos materiais rochosos. Já se fala, inclusive, da conservação da geodiversidade e das relações existentes entre esta e a biodiversidade. Isto só demonstra que a atitude humana está a ser cada vez mais consciente e racional em relação ao meio envolvente.


Mudanças necessárias!

Algumas civilizações antigas tinham algum fascínio e veneração pelo meio que as envolvia. No entanto, grande parte da Humanidade teve sempre uma atitude, em relação à geodiversidade, de incompreensão e desprezo. A natureza tinha de ser "domada", pois representava um estado rude e primário. Tivemos de criar o nosso próprio ambiente de modo a ordenar aquilo que parecia imperfeito. No entanto, em séculos recentes, reconhecemos que existia o belo na Natureza, em todas as suas formas e diversidades. Iniciámos uma aquisição de conhecimentos e estudos que permitiram obter informações preciosas para a defesa e respeito do meio em todas as suas vertentes. Foi um processo gradual e que ainda se está a desenvolver. Hoje estamos mais conscientes e informados de como o que está à nossa volta é precioso e fascinante.